“Um misto de tristeza e revolta”, diz filha de idosa que morreu após dificuldade com atendimento do Samu

“O que aconteceu é inadmissível. Não foi uma fatalidade. Eu não posso garantir que minha mãe estaria viva hoje, mas posso garantir que ela deveria ter sido socorrida sim. Um misto de tristeza e revolta. Espero que mais nenhum filho passe pelo que passei: segurar a minha mãe nos braços, morrendo. É a pior sensação do mundo”, relata Andrea, filha de Terezinha Ferreira, de 73 anos, que morreu após esperar mais de duas horas a chegada de uma ambulância em Extremoz, na Grande Natal. O relato foi dado em entrevista ao repórter Hugo Monte, da TV Tropical.

O caso aconteceu no dia 26 de abril, mas os áudios com a gravação da solicitação de socorro ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) só vieram à tona nesta semana. A família reclama de negligência durante atendimento médico via telefone. Terezinha sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e a ambulância só chegou cerca de duas horas depois. A idosa não resistiu e morreu em casa.

Segundo Andrea, na casa onde a família mora, o sinal telefônico é precário. Por isso, os vizinhos se prontificaram a tentar contato com o Samu. No áudio que mostra a ligação com o ramal de atendimento, é possível ouvir quando a médica socorrista se irrita com o relato repassado por uma das vizinhas da idosa.

“Nós estamos com uma vizinha passando mal. Estou a 100 metros. Eles estão pedindo socorro pelo WhatsApp”, relatou a vizinha, na ligação. A socorrista pergunta: “O que ela está passando? O que está acontecendo com ela?”. A usuária responde: “Ela está sem sentido, segundo a nora”. A médica, então, questiona: “Não tem ninguém lá que possa ligar pra gente? A senhora não pode ir até lá? Pra gente liberar socorro adequado, a gente precisa de informações. Passar mal é muito vago. Quando a gente vai ao hospital, a gente precisa ter uma queixa”, disse a médica, notadamente irritada.

A usuária explica que não tem mais informações porque não está no local do acontecimento, mas ressalta que a paciente estava desmaiada no chão e “sem sentidos”. “Não existe remédio para passar mal. Eu preciso acionar a equipe adequada. A senhora não pode ir até lá, se está a 100 metros de distância?”, retruca a socorrista. Diante do desespero da usuária, a médica sobe o tom de voz e afirma: “Pare de falar outras coisas. Responda apenas o que eu estou lhe perguntando, se não a gente não vai conseguir sair do canto…”. Neste momento, a ligação é interrompida.

Matéria na íntegra Portal da Tropical

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