Benefícios do colostro bovino são investigados pela EAJ e Facisa

Foto: Cícero Oliveira

Pesquisadores da UFRN abordam em novo estudo a relação entre o consumo de colostro bovino e seu potencial de tratamento contra a covid-19. Entre os autores, estão Alyne Galdino e Adriano Henrique Rangel, ambos da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ) e do Programa de Pós-Graduação em Produção Animal, na Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias (UAECA) da instituição. Também autora da pesquisa, Katya Anaya é professora na Faculdade de Ciências da Saúde do Trairi (Facisa).

Foco central da pesquisa, o colostro bovino, primeira secreção pós-parto da glândula mamária, apresenta substâncias importantes como lactoferrina, imunoglobulinas e o Fator de Crescimento Transformador beta (TGF-β), que são capazes de fortalecer o sistema imunológico e atuar positivamente na saúde respiratória de humanos.

A lactoferrina possui vários benefícios: capacidades antibacteriana, antiviral, antifúngica, antiparasitária e anti-inflamatória. Além disso, essas características podem ser aproveitadas em suplementos alimentares, havendo indícios de que a substância provoca o alívio de sintomas como falta de ar, dores musculares e cansaço.

Outra substância que se destaca são as imunoglobulinas: a IgG é mais encontrada no colostro bovino, cujo benefício para os humanos é a melhora das defesas do sistema imunológico.

Já o Fator de Crescimento Transformador beta (TGF-β), que atua na barreira epitelial do intestino, possui função imunomoduladora e anti-inflamatória, além de poder controlar ou mesmo inibir inflamações nas vias aéreas.

Investigação científica  

Em entrevista, Alyne Galdino explicou alguns pontos sobre o estudo: a intenção é de que mais pesquisadores lancem um novo olhar sobre o colostro e avancem no conhecimento sobre as características desta secreção, explorando suas possibilidades. Por isso, “é importante que estudos cuidadosamente planejados sejam realizados, preferencialmente, ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebos, bem como estudos longitudinais”, afirmam os integrantes da pesquisa.

O consumo de colostro é permitido em países como Noruega e Canadá, mas no Brasil só é destinado para consumo animal. Ou seja, ainda enfrenta restrições por aqui.

Sobre as condições de preservação do colostro bovino, estudos mostram que é possível tratar o colostro bovino a uma temperatura de 63°C. “Contudo, caso o consumo de colostro fosse regulamentado no Brasil, o ideal seria a criação de legislações próprias para o seu tratamento”, lembra a pesquisadora do EAJ.

O leite bovino tem as mesmas substâncias presentes no colostro, evidenciadas no estudo. Porém, Alyne Galdino ressalta que ocorre uma diminuição da concentração desses componentes no leite, depois de alguns dias, conforme gráfico disponível aqui.

Apesar de a lactoferrina também ser eficaz em impedir a replicação do vírus da covid-19, é necessário um número maior de participantes em pesquisas para que se possa comprovar esse efeito. “Esse achado é apenas um indício de que a lactoferrina isolada poderia ser utilizada na prevenção e no tratamento da covid-19”, atenta Alyne.

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