
Lideranças do agronegócio se reuniram nesta sexta-feira com Beto Albuquerque, candidato à Vice-Presidência da República pela Coligação Unidos pelo Brasil, encabeçada por Marina Silva, na sede da Sociedade Rural Brasileira, em São Paulo. Questões envolvendo proteção das florestas, índice de produtividade agrícola, política externa, financiamento, seguro e trabalho foram debatidos no encontro promovido pela entidade setorial.
“O grande desafio, não só na agricultura como em outros setores, é governar o governo”, disse Beto, na ocasião. “Cada um puxa para um lado e ninguém puxa para a mesma direção.” O candidato reforçou a importância estratégica de haver coordenação política na esfera governamental. “É preciso ter muito diálogo interno, com planejamento meta e medição de resultados”. Ainda nesse campo, Beto disse que o Ministério da Agricultura precisa ganhar força política e orçamentária.
Capítulo importante no debate com o setor é o que envolve a produtividade agrícola. “Índice de produtividade, eu esclareci e foi bem compreendido aqui na reunião, para nós é premiar. Se queremos ser o player número um no mundo em produção e fornecimento de alimentos no curto prazo, temos que incentivar isso”, disse o candidato da coligação. De acordo com Beto, seria como estabelecer meritocracia no setor. Os melhores têm de ser premiados para servir de exemplo. Enquanto isso, será necessário criar condições para apoiar os pequenos e médios produtores que, muitas vezes, não conseguem investir em tecnologia e inovação. “Os assentamentos são áreas que precisam de grandes investimentos pela extensão e, em muitos lugares, por abandono do próprio governo. São terras que estão muito aquém da capacidade de produtividade”, citou Beto. O país tem cerca de 88 milhões de hectares de assentamentos. Também foi reforçado no encontro que há um falso debate envolvendo proteção e produção. É possível melhorar o rendimento da terra sem deixar de lado a sustentabilidade.
“Abrimos uma discussão também importante sobre seguro. Hoje se assegura o financiamento, mas não a renda”, disse Beto. Segundo ele, representantes de seguradoras estiveram presentes no encontro. “Achamos que a conversa vai abrir uma mesa lá na frente e é só dessa forma que vamos conseguir encontrar solução para um assunto que há muito tempo os governos vêm falando, mas não sentaram com as seguradoras para criar uma equação”.
Boa parte dos cem representantes setoriais que esteve no encontro questionou o candidato sobre o modo de gestão de Marina Silva. “Falei que ela tem uma virtude. Diferentemente da atual presidente, Marina não é de tomar decisões sem ouvir as partes interessadas”, comentou Beto. “Falei também do meu papel no governo, que terá os limites que a presidenta determinar, mas eu não serei um vice que apenas vai substituí-la em sua ausência. Não é o que ela quer e não era o que Eduardo previa para ela”.
Os representantes da coligação conversaram com produtores de grãos e da área citrícola, além de executivos de companhias nacionais e internacionais de segmentos como biotecnologia e defensivos agrícolas. O ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, também esteve presente.











