Investigação Arquivo

O Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN) divulgou nesta quinta-feira (28) o primeiro resultado do Relatório de Auditoria Documental, trabalho que tem como objetivo verificar a receita pública, prevista e efetiva arrecadação dos tributos dos municípios, observando as medidas de combate à evasão, sonegação, cobrança administrativa e judicial da divida ativa, entre outras situações relacionadas à questão tributaria.

A primeira situação, cujo relatório mostra insatisfatória condição de arrecadação de tributos no município de Jandaíra, localizado na microrregião de Baixa Verde, foi apresentada pelo conselheiro Gilberto Jales, presidente da Primeira Câmara do TCE.

“Trata-se de uma ação até então inédita no Tribunal de Contas”, ressaltou Jales, lembrando que a análise foi realizada pelos técnicos da Diretoria de Assuntos Municipais – DAM, dando cumprimento ao Plano de Fiscalização do exercício de 2013, que aprovou a realização de auditoria na área de receita pública com enfoque sobre os municípios do Estado. Ele explicou que no primeiro momento a fiscalização detém um papel mais pedagógico, com perfil de orientação aos jurisdicionados quanto às medidas que precisam ser adotadas para elevar o potencial arrecadatório do ente municipal.

O Relatório da Auditoria identificou diversos achados, tais como a inexistência de manuais de rotinas administrativas da administração tributária; ausência de atos normativos que definam as atribuições dos funcionários que compõe o quadro da Secretaria Municipal de Finanças e Tributação; ausência de documentos que demonstrem a metodologia de cálculo e as premissas utilizadas para estimativa técnica e precisa da receita pública nos valores então consignados na Lei Orçamentária Anual; não estabelecimento e acompanhamento das metas bimestrais de arrecadação, tampouco a adoção de qualquer medida limitadora de empenho ou movimentação financeira; e ausência, na Lei Orçamentária do exercício de 2013, de previsão de arrecadação da contribuição para custeio da iluminação pública, embora instituída por lei.

Foi constatado ainda que há uma representatividade muito baixa da receita própria relativamente à receita total arrecadada (oscilou entre 1,27% a 2,62% entre os exercícios de 2011 a 2013), evidenciando alto grau de dependência financeira do ente em relação aos recursos provenientes de repasses do Tesouro Federal e Estadual, agravada pelo fato da ausência de arrecadação de impostos, tais como sobre serviços de qualquer natureza (ISSBN) e sobre propriedade predial e territorial urbana (IPTU), além da não realização de lançamento de crédito pela Cosern, referente a contribuição para custeio do serviço de iluminação pública (COSIP).

Provocado, o gestor municipal, José Roberto de Souza, permaneceu inerte. No relatório, foi determinada uma série de providências a serem tomadas, que deverão ser comprovadas por ocasião da prestação de contas anuais deste exercício de 2016. São ações necessárias para regulamentação da Administração Tributária, providências como a regulamentação das rotinas e procedimentos referentes ao processo administrativo tributário, obrigações principais e acessórias, constituição do crédito (lançamento), arrecadação, recolhimento, controle específicos, extinção do crédito, dentre outros, específicos para cada um dos tributos de competência municipal, considerando a necessidade uma gestão mais eficiente da receita pública;

Também foi determinado que, no prazo de 90 dias, a prefeitura de Jandaíra apresente ao TCE a comprovação de que providenciou, no âmbito de sua competência, as medidas necessárias à estruturação da carreira específica da administração tributária (fiscais); regularizou junto à Cosern a situação referente ao lançamento da COSIP, obtendo o cadastro dos contribuintes da referida contribuição e providenciando a cobrança do tributo; providenciou a cobrança dos débitos pendentes decorrentes das decisões emitidas por esta Corte; regularizou a movimentação dos recursos financeiros depositados na conta tributos, para que observem a necessidade de serem remanejados à conta única do Município antes de serem aplicados, observando o princípio da unidade de caixa ou de tesouraria, entre outras.

Estadão Conteúdo

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal em Brasília, autorizou nesta quarta-feira, 20, que a presidente Dilma Rousseff seja ouvida como testemunha de defesa de um dos acusados de “comprar” medidas provisórias no governo federal, caso investigado na Operação Zelotes.

Pela decisão, a presidente terá de responder por escrito perguntas sobre o suposto esquema, formuladas pela defesa do advogado Eduardo Gonçalves Valadão, réu que a arrolou.

Dilma terá de dar explicações sobre sua participação no processo para editar e aprovar as medidas provisórias, que concederam incentivos fiscais a montadoras de veículos. O caso foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo em outubro. Conforme denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), lobistas contratados pelas empresas pagaram propina a servidores públicos e autoridades para viabilizar os benefícios.

Além de Dilma, vários outros políticos terão de depor na ação penal em curso, a partir da próxima sexta-feira, 22. A oitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será presencial, em Brasília, está marcada para a segunda-feira, 25, o que ainda depende da confirmação de sua intimação.

O petista, que já depôs à Polícia Federal, será inquirido agora como testemunha do lobista Alexandre Paes dos Santos, um dos presos por suspeita de “comprar” MPs.

Outro lobista preso, o empresário Mauro Marcondes Machado, fez pagamentos de R$ 2,5 milhões a um dos filhos de Lula, o empresário Luís Cláudio Lula da Silva. Os repasses estão sob investigação. Ambos têm negado relação entre o negócio e a edição de MPs.

Por ora, mais de 80 pessoas foram indicadas pelos 15 réus. A defesa de Valadão propôs inicialmente 63 testemunhas, mas o juiz determinou que a lista fosse limitada a 11. A nova relação inclui, além de Dilma, outras oito autoridades com prerrogativa de foro, entre elas o ministro da Educação, Aloizio Mercadante (PT-SP), os senadores José Agripino Maia (DEM-RN), Walter Pinheiro (PT-BA) e Tasso Jereissati (PSDB-CE), além dos deputados José Guimarães (PT-CE) e José Carlos Aleluia (DEM-BA).

Conforme argumentou a defesa, todos participaram, como parlamentares ou integrantes do governo, do processo para editar e aprovar as medidas provisórias, que foram convertidas em leis.

Dilma era ministra-chefe da Casa Civil entre 2009 e 2010, quando a MP 471 foi editada e discutida no Legislativo. Ela não estava mais no cargo meses depois, quando a MP 512 foi gestada no governo, mas, como presidente recém-eleita, sancionou o projeto que a transformou em lei, em 2011.

Também no seu primeiro mandato, a petista propôs ao Congresso a MP 627, sancionando-a em 2014, após a aprovação pelos parlamentares. Graças às três normas sob suspeita, as empresas beneficiadas vão ter redução de R$ 13 bilhões em impostos até 2020.

Dilma e algumas outras testemunhas não serão ouvidas presencialmente porque têm prerrogativa de foro e, por lei, têm direito a tratamento especial. Conforme o Código do Processo Penal, presidente e vice-presidente da República, congressistas, ministros de Estado e governadores, entre outras autoridades, devem ser inquiridos em dia, local e hora previamente ajustados com o juiz.

O presidente da República, seu vice e os presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo Tribunal Federal têm ainda o direito de prestar depoimento por escrito, caso em que as perguntas devem ser formuladas pelas partes e deferidas pelo juiz.

Vallisney de Souza já mandou oficiar Dilma e demais réus para acertar as datas das oitivas. Os quesitos à presidente ainda serão apresentados pela defesa de Valadão.

Prisão

O advogado foi preso em outubro, acusado de integrar o suposto esquema de compra de medidas provisórias, e solto no mês passado. A Justiça aceitou denúncia contra ele por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e extorsão.

O advogado era sócio de José Ricardo da Silva, um dos lobistas suspeitos de pagar propina para viabilizar os incentivos fiscais. Os dois aparecem em mensagens em conversas que, segundo o MPF, demonstram a sua participação no esquema.

Em sua defesa, Valadão argumenta que não era sócio de José Ricardo na SGR Consultoria, a empresa que teria atuado na compra das medidas provisórias, mas no escritório JR Silva Advogados. Segundo seus advogados, o objetivo dessa associação não era cometer delitos.

“Eduardo é um jovem advogado, desconhecido de parlamentares ou qualquer figura pública, que não tem qualquer especialidade eleitoral, e a investigação de suposta venda de legislação (que não ocorreu, como restará demonstrado, se for o caso, ao final da instrução criminal) não pode ser levianamente imputada a Eduardo, contra quem a acusação não comprova qualquer conduta, seja de corrupção ou de outro delito”, diz a defesa do réu. Procurados hoje, os advogados de Valadão não quiseram dar entrevista.

Atualizado em 20 de janeiro às 15:06

Folha de São Paulo

O ex-deputado Pedro Corrêa, após prisão na Operação Lava Jato; ele negocia delação premiada

Em negociação com a força-tarefa da Operação Lava Jato e com a Procuradoria-Geral da República para firmar um acordo de delação premiada, o ex-presidente do PP (Partido Progressista) Pedro Corrêa adiantou ter informações capazes de comprometer aproximadamente cem políticos, entre eles dois ministros do atual governo: Jaques Wagner, da Casa Civil, e Aldo Rebelo, da Defesa.

A relação apresentada por Corrêa durante as tratativas inclui ainda o nome do senador Aécio Neves (PSDB-MG), candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais.

Matéria na íntegra na Folha de São Paulo

 

Foto: Paulo Lisboa – 13.abr.15/Brazil Photo Press/Folhapress

Do Estadão – O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fez lobby para a construtora OAS em dois tribunais de contas para evitar o bloqueio de recursos para as obras da empreiteira na Arena das Dunas, em Natal, um dos estádios da Copa de 2014. A ação é comprovada por mensagens trocadas entre Alves e o empreiteiro Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, já condenado a 16 de reclusão por crimes cometidos no escândalo de corrupção da Petrobrás. Trechos das conversas, de 2013 e 2014, foram obtidos pelo Estado. No período, o peemedebista era deputado federal pelo PMDB e presidia a Câmara.

Nos diálogos, além tratar de favores para o empresário nos tribunais, o ministro cobra repasses da OAS para sua campanha ao Governo do Rio Grande do Norte em ação conjunta com o atual presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), um dos principais articuladores de sua candidatura.

Para a Procuradoria-Geral da República (PGR), as doações foram “vantagens indevidas” pagas para que Cunha e seu grupo defendessem interesses da OAS. Como revelou o estadão.com.br na quinta-feira, as conversas mostram que contribuições de empreiteiras “pressionadas” pelos dois peemedebistas foram de ao menos R$ 6,9 milhões, dos quais R$ 5 milhões para a campanha do atual ministro. Ele foi derrotado no segundo turno.

As mensagens sobre o lobby nos tribunais foram trocadas entre junho e julho de 2013. Em 14 de julho, Alves promete a Léo Pinheiro agir no Tribunal de Contas da União (TCU): “Seg (segunda), em BSB (Brasília), vou pra cima do TCU. Darei notícias”, diz o atual ministro do Turismo.

Os diálogos indicam que a operação envolveria tratativas com o então ministro do TCU Valmir Campelo Bezerra, que na época relatava processo sobre a Arena das Dunas. Na ocasião, após receber denúncia de irregularidades do Ministério Público Federal, o tribunal abriu um processo para acompanhar o financiamento da obra, a ser concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Além disso, pediu ao Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte (TCE-RN) que o informasse sobre qualquer falha no projeto. Isso implicaria a suspensão do empréstimo.

Uma interceptação telefônica feita pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte revela que o governador do Estado, Robinson Faria (PSD), buscou informações sobre a investigação que resultou na operação Dama de Espadas. O áudio, feito com autorização judicial, foi captado em agosto de 2014, quando Robinson ainda era candidato ao governo, na reta final da campanha eleitoral. Ele conversa com a então procuradora-geral da Assembleia Legislativa, Rita das Mercês Reinaldo, uma das acusadas presas na operação do MP que apura o suposto desvio de R$ 5,5 milhões da Casa. A interceptação foi obtida com exclusividade pelo G1.

Rita Mercês (ao centro) foi presa nesta quinta-feira (20) (Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi)

Rita Mercês foi presa em agosto de 2015, mas está solta (Foto: Sérgio Henrique Santos/Inter TV Cabugi)

O telefone de Rita das Mercês estava grampeado por decisão judicial. Ela é investigada por suspeita de envolvimento em fraudes ocorridas na Assembleia Legislativa, que acabaram levando o MP a deflagrar a operação Dama de Espadas. Às 16h17 de 26 de agosto, Robinson ligou para Rita, então procuradora-geral da Assembleia, e a questionou sobre o fato de algumas pessoas que trabalhavam lá estarem sendo intimadas para depôr ao MP. (Ouça ao lado a íntegra da interceptação da ligação entre Robinson Faria e Rita das Mercês)

ROBINSON – (…) O que é que você está achando disso ai? É o que?

RITA – É. A gente tá trabalhando, né? O presidente tá trabalhando. Já trabalhou já hoje, certo?

O “trabalho” citado na conversa entre Robinson e Rita seria uma conversa entre Ricardo Motta e o procurador-geral de Justiça do RN, Rinaldo Reis. Na manhã do mesmo dia 26 de agosto, Rita teria participado de uma reunião entre Ricardo e Rinaldo na Assembleia Legislativa.

RITA – (…) Eu dei a entender hoje na hora da reunião lá que não era interessante pra ele lá, porque agora um negócio que está para prescrever, né? (…) Ele disse: ‘vou procurar me inteirar e tal’. Eu disse: ‘inclusive você viu, você estava na minha sala semana passada quando chegou e eu mostrei e tal’. Aí ele disse: ‘Não. Eu vou procurar me inteirar e tal. Não é o momento. Vou reunir com o pessoal. Vou conversar, porque não é o momento. Vou conversar’.

Robinson Faria foi presidente da Assembleia entre 2003 e 2010. Durante este período, Rita, que já era procuradora-geral, manteve-se no mesmo cargo. Em outro trecho da conversa, ele perguntou à Rita das Mercês sobre qual época seria a investigação do Ministério Público.

ROBINSON – (…) É avulso? Ou é de um período só, ou uma certa época?

RITA – Avulso. Avulso.

ROBINSON – Tem atual e atrasado ou de época só? Ou certa época?

RITA – Tem só atrasado, só de atrasado. Tem gente já exonerado, entendeu? Tem gente efetivo. Tem aposentado, sabe? Fizeram uma miscelânea lá.

O outro lado
O governador Robinson Faria foi procurado pelo G1. Ele emitiu nota através da Assessoria de Comunicação do Governo do Estado. Leia a íntegra:

O governador Robinson Faria não foi citado pelo Ministério Público Estadual como parte nas investigações da Operação Dama de Espadas.

Tendo sido deputado estadual por 24 anos, e chegado a presidência do Legislativo, Robinson Faria conviveu e estabeleceu laços de amizade e respeito com vários servidores da Assembleia.

A relação do governador com o MPRN é de profundo respeito e diálogo por defender a contribuição essencial da instituição para a Democracia brasileira‘.

O deputado Ricardo Motta, por telefone, disse não se recordar do que se tratava a conversa que teve com Rinaldo Reis e Rita das Mercês. “Como presidente da Assembleia, sempre procurei conversar com todas as instituições. Mas não me lembro do teor dessa conversa especificamente”. Indagado se tinha procurado saber do que se tratava a investigação do MP, ele negou. “Nunca procurei o doutor Rinaldo Reis para saber de investigação alguma do Ministério Público”.

Rinaldo Reis, procurador-geral de Justiça do RN (Foto: Divulgação/Assessoria MPRN)

(Foto: Divulgação/Assessoria MPRN)

Rinaldo Reis admitiu que conversou com Ricardo Motta, que lhe fez perguntas sobre as intimações emitidas pelo MP. “Encontrei o deputado Ricardo Motta por duas ou três vezes pessoalmente na Assembleia nessa época. Ele me perguntou do que se tratava esse inquérito civil e eu disse a ele que não sabia, até porque os promotores têm sua independência em qualquer investigação. Realmente disse que iria procurar me inteirar e assim o fiz. Perguntei à promotora responsável pelo caso do que se tratava e, à época, nem mesmo ela tinha nada de concreto, informando que se tratava de algumas possíveis irregularidades. Passei esse conteúdo para o deputado Ricardo Motta, até porque não havia nada de mais. Jamais eu passaria se a investigação estivesse avançada e em nenhum momento sugeri que ela fosse protelada. Ninguém nunca me pediu para travar nenhuma investigação, até porque não encontraria espaço para isso comigo”.

Sobre o fato de procurar os deputados Hermano Morais e Kelps Lima para tratar da aprovação do projeto de lei, ele disse ser um procedimento normal. “Isso é normal, legal e não acho que seja antiético. Na condição de procurador-geral de Justiça, sempre conversei com os deputados para esclarecer projetos de interesse do Ministério Público”.

Hermano Morais lembrou que em agosto de 2014 era presidente da CCJ. “Sempre que havia algum projeto do MP na Casa, o doutor Rinaldo se apresentava pessoalmente para explicar do que se tratava, mas sempre mantendo a ética. Ele chegou até a participar de reuniões na CCJ conosco”.

Através da assessoria de imprensa, o deputado Kelps Lima disse que em “todas as sessões, os deputados relatores são procurados pelas mais diversas entidades pedindo agilização de projetos: TJRN, Governo, MP, TCE, Sindicatos, OAB, ONGs. Nenhum projeto foi aprovado pela Assembleia em 2014 sem passar pelo menos na CCJ, apesar do regimento autorizar a aprovação direta sem nenhuma Comissão, desde que acordada pelos líderes”.

Rita das Mercês não foi localizada. Por telefone, o advogado dela, Flaviano Gama, disse que só vai se pronunciar nos autos do processo.

Matéria na íntegra no G1 RN

Os Promotores de Justiça com atuação na área do Patrimônio Público, que participaram da investigação e da deflagração da Operação Dama de Espadas, Keiviany Silva de Sena, Paulo Batista Lopes Neto, Hayssa Kyrie Medeiros Jardim e Hellen de Macedo Maciel, diante do que foi noticiado na imprensa nesta terça-feira (5 de janeiro de 2016) sobre uma suposta procrastinação da deflagração da Operação Dama de Espadas, manifestam-se nos seguintes termos:
1) A data da deflagração da operação Dama de Espadas foi decidida única e exclusivamente pelos signatários desta nota após as devidas autorizações judiciais, quando as diligências necessárias, documentadas no processo, foram concluídas;
2) Nunca houve qualquer interferência do Procurador-Geral de Justiça, Rinaldo Reis Lima, no andamento da citada operação; a lisura da operação é atestada pelo êxito das buscas e apreensões e prisões, em ambiente de total surpresa para os investigados.
3) Lamentamos profundamente que, em uma matéria tratando de uma suposta interferência do Procurador-Geral de Justiça no trabalho dos Promotores do Patrimônio Público, os veículos de comunicação noticiantes tenham deixado de ouvir exatamente as pessoas que poderiam esclarecer se houve ou não essa suposta interferência, nós os Promotores do Patrimônio Público.
4) As matérias são ofensivas ao Procurador-Geral de Justiça e aos Promotores do Patrimônio Público. Se o PGJ tivesse interferido, significaria que nós os promotores teríamos admitido essa indevida interferência, procrastinando a deflagração da operação; e nós repudiamos qualquer ilação nesse sentido.
5) A Promotoria do Patrimônio Público aguarda que o Supremo Tribunal Federal (STF) destrave a investigação da Dama de Espadas, que foi suspensa pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), para que o Ministério Público do Rio Grande do Norte promova as responsabilizações criminais devidas.

O juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, autorizou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-ministro Gilberto Carvalho e o deputado federal José Carlos Aleluia (DEM-BA) sejam ouvidos como testemunhas no julgamento do lobista Alexandre Paes dos Santos, preso em outubro pela Operação Zelotes.

A Zelotes investiga fraudes em julgamentos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ligado ao Ministério da Fazenda. O esquema investigado, de acordo com a PF, consistia em pagamento de propina para integrantes do Carf com o objetivo de anular ou reduzir débitos tributários de empresas com a Receita Federal.

A audiência para que Lula, Carvalho e Aleluia sejam ouvidos no caso foi marcada para o próximo dia 25 de janeiro. Assim como outras testemunhas, eles não são acusados no caso, mas foram chamados pela própria defesa do lobista para esclarecer suspeitas que pesam sobre ele.

O que é o Carf - VALE ESTE (Foto: Editoria de Arte/G1)

Procurado pelo G1, o Instituto Lula, que fala em nome do ex-presidente, afirmou que ainda não foi informado da decisão e não iria comentar o caso. O G1 não conseguiu entrar em contato com a assessoria de imprensa de Gilberto Carvalho, que atualmente preside o Conselho Nacional do Sesi, e com o gabinete do deputado José Carlos Aleluia.

No total, os advogados de Santos indicaram 69 pessoas para serem ouvidas. No caso, Santos é acusado de beneficiar montadoras de automóveis com alteração de medidas provisórias e de atuação junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda, para abater multas de empresas aplicadas pela Receita.

A defesa de Santos nega as acusações e diz a atividade do lobby é lícita, que sua participação  foi no campo técnico-jurídico e que não atuou junto ao Carf.

Em sua decisão, proferida no último dia 18 de dezembro, Vallisney de Souza Oliveira autorizou que somente fossem ouvidas como testemunhas 12 das 69 pessoas indicadas pela defesa de Santos. O juiz justificou que esse é o número máximo de testemunhas para cada réu, considerando que existem outros 15 acusados no caso, o que poderia levar a 192 testemunhas.

“Foge da razoabilidade e da proporcionalidade a quantidade exagerada de testemunhas indicadas, no total de sessenta e nove (69), considerando que os fatos envolvendo o acusado são intrincados num contexto único pela acusação de atividade criminosa envolvendo medidas provisórias, embora haja mais de uma tipificação legal”, escreveu.

Mesmo assim, permitiu que as demais pessoas indicadas como testemunhas possam ser ouvidas, desde que se disponham a falar de forma espontânea, sem necessidade de serem intimadas.

 

Congresso em Foco – O  Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o arquivamento   inquérito contra o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP). O parlamentar tinha sido acusado pelo delator Carlos Alexandre de Souza Rocha, o “Ceará”, entregador de dinheiro de Alberto Youssef, de recebimento de propina. As informações são do jornal Folha de São Paulo.

O ministro Teori Zavascki acompanhou entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR) – que havia opinado pelo arquivamento -, depois de uma contradição entre o depoimento de Rocha, e de outro delator na Lava Jato.

A decisão de Teori é de antes do recesso, 9 de dezembro do ano passado, antes de terem sido tornados públicos os depoimentos de “Ceará”.

Comentário

Rocha atuava como transportador de dinheiro para o doleiro Alberto Youssef, também delator na operação. “Ceará” havia dito que ouviu comentário do doleiro de que Randolfe recebeu R$ 200 mil de propina. A PGR, porém, reinquiriu Youssef sobre o caso e o doleiro negou ter tido esse diálogo.

“Procurou-se obter esclarecimentos sobre a situação perante Alberto Youssef, que também celebrou acordo de colaboração premiada com o Ministério Público. O doleiro, que teria efetuado o repasse de valores ilícitos ao parlamentar e haveria sido a fonte da informação fornecida por Carlos Alexandre de Souza Rocha, negou ambos os fatos”, escreveu a PGR.

Em depoimento, Youssef declarou aos agentes que nunca teve a conversa relatada e nem conhece Randolfe.

“Nunca entregou dinheiro a Randolfe Rodrigues; que nunca falou sobre a entrega de valores a Randolfe Rodrigues para Ceará ou para qualquer outra pessoa”, diz trecho de seu depoimento, transcrito na decisão de Teori.

“Os elementos indiciários colhidos até o momento não são suficientes para indicar de modo concreto e objetivo a materialidade e a autoria delitivas”, escreveu o ministro Teori, em sua decisão.

“Porcos”

Quando foi divulgado o depoimento de Ceará, o senador Randolfe declarou que “alguns porcos querem levar todos para o chiqueiro deles, mas eu estou fora dessa lama”.

Ceará também citou pagamentos a outros políticos, como os senadores Aécio Neves (PSDB-MG) e Renan Calheiros (PMDB-AL), que negam terem recebido dinheiro. Não há informações se foram abertos inquéritos para investigar esses fatos.

Quanto mais a operação lava jato prende grandes chefões país afora, em outras instituições de fiscalização de recursos públicos, conselheiros, investigadores e procuradores ficam ainda mais corajosos para buscar provas para colocar na cadeia aqueles que se usurpam do dinheiro público. Nessa linha de investigação, o que vem sendo alvo de investigação do Ministério Público é uma  licitação de lixo e prestação de serviço para construção, onde se suspeita de superfaturamento por parte de um grupo de empresas vencedoras de  licitações, já foram realizadas apreensões tanto na cidade onde a prefeitura está sendo investigada quanto nas cidades onde existe  escritórios das empresas, ao todo são quatro empresas de construção e limpeza urbana que estão sendo investigadas.