
Foto: Wedson Nunes
No século XIX, o Brasil foi assolado por muitas epidemias de cólera que ceifaram inúmeras vidas em diversos municípios. Um desses registros históricos remete ao município de Macaíba, localizado no estado do Rio Grande do Norte. Nessa cidade, a doença vitimou fatalmente nove pessoas na região conhecida como Engenho Ferreiro Torto.
Nesse período, o coronel Estevão José Barbosa de Moura, proeminente proprietário do engenho, compartilhou os trágicos eventos com a imprensa, incluindo o renomado jornal “Diário de Pernambuco”. Na edição de 23 de junho de 1862, destaca-se que Estevão relatou que nove indivíduos, entre servos e escravos, foram vítimas da peste e vieram a falecer. O próprio coronel também mencionou ter sido acometido pela cólera, enfrentando a doença gravemente. Porém, miraculosamente, conseguiu sobreviver.
Segundo os relatos históricos registrados no jornal da época, o número de óbitos no engenho não alcançou proporções ainda mais alarmantes graças à intervenção crucial do médico Dr. Egas Muniz. Convocado a se deslocar até o local, ele prestou socorro aos demais contaminados. Sua dedicação incansável e vasto conhecimento médico revelaram-se fundamentais para conter o avanço da epidemia, proporcionando uma chance de sobrevivência às pessoas afligidas.
Essa história do Engenho Ferreiro Torto ecoa como um testemunho sombrio da fragilidade humana diante das implacáveis forças da natureza e destaca a força humana lutando pela sobrevivência em meio à devastação.
Por Wedson Nunes (Poeta) – pesquisador e guia de turismo
