Preceptora do CEPS defende Mestrado na comunidade de Capoeiras, em Macaíba

Fotos e Texto: Ariane Mondo / Ascom – ISD

O Dia Internacional da África, celebrado em 25 de maio, foi bastante especial para o Instituto Santos Dumont (ISD) no ano de 2018: Carolina Damásio, preceptora médica do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita Garibaldi (CEPS), defendeu a dissertação de mestrado “ ‘Eu não tinha a menor ideia do que eu podia aprender aqui…’ – Educação das profissões da saúde e competência cultural” na própria Comunidade Quilombola que acolheu seus estudos: Capoeiras, localizada em Macaíba (RN). O trabalho acadêmico, feito no âmbito do Mestrado Profissional em Ensino na Saúde (MPES), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), analisa dados do Projeto Barriguda, desenvolvido desde 2015 pelo ISD, em Capoeiras. A médica infectologista embasou sua pesquisa a partir das experiências obtidas na disciplina de graduação “Competência Cultural na Atenção à Saúde da Mulher Quilombola”, oferecida de forma inédita no Brasil pelo Departamento de Tocoginecologia da UFRN, em parceria com o ISD.

Carolina explica que a disciplina tem como finalidade contribuir com o desenvolvimento da competência cultural na formação dos profissionais de saúde, o que segundo ela, é a capacidade do profissional oferecer um atendimento de qualidade a pacientes de origens étnicas e culturalmente diversas, respeitando os valores, crenças e modos de vida individuais ou grupais do paciente. Ela lembra que em muitos países essa reflexão já integra a formação dos profissionais de saúde, porém poucas experiências dessa natureza fazem parte dos currículos de graduação no Brasil. “A integração ensino-serviço-comunidade é de extrema importância na formação destes futuros profissionais, pois dá a eles a oportunidade de vivenciarem e entenderem os contextos nos quais os pacientes estão inseridos. Então, dessa forma, essa experiência pode ajudar na compreensão das dificuldades, dos processos de saúde e doença, dos aspectos culturais e dos modos de vida dessas pessoas”, analisa a médica.

Experiência em Capoeiras une assistência materno-infantil e educação em saúde

Muitas pessoas de Capoeiras se prontificaram a assistir à defesa do Mestrado, inédita na Comunidade e também na História da UFRN, segundo um dos membros da banca examinadora, George Dantas de Azevedo, Diretor da Escola Multicampi de Ciências Médicas do Rio Grande do Norte (EMCM/UFRN). Em sua fala após a defesa, o Professor pontuou o momento como sendo de extrema importância dentro dos 60 anos de existência da UFRN, visto que pela primeira vez em sua história foi realizada uma defesa de mestrado em uma comunidade rural. “Fazer a Universidade fora dos seus muros é um projeto de vida para mim,”, enfatizou George, que também refletiu sobre possíveis desdobramentos do Projeto Barriguda, com participação cada vez maior da Comunidade na tomada de decisões.

Durante a arguição, outro membro da banca, Henry de Holanda Campos, Reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), fez comentários sobre as repercussões na formação dos futuros profissionais de saúde que passaram pela disciplina oferecida no contexto do Projeto Barriguda: “A experiência dá a eles quase uma obrigação de serem profissionais mais humanos, mais abertos para a compreensão do sofrimento, da dor, com mais compaixão, porque eu acho que isso é o mais importante e mais bonito nas profissões da saúde. Talvez vão fazer mais perguntas, ao invés de achar que têm todas as respostas. Vão procurar falar de uma maneira mais acessível aos pacientes. Talvez vão aprender a usar a comunicação verbal e a não-verbal. Eu acho que isso é uma maneira de realmente transformar as pessoas”.

Matéria na íntegra ISD

Administrador