Para PT, busca na sede do partido foi “desnecessária e midiática”

São Paulo - A Polícia Federal cumpre mandado de busca e apreensão como parte da Operação Custo Brasil na sede do Partido dos Trabalhadores, na capital paulista (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Rovena Rosa/Agência Brasil

Por meio de nota à imprensa, o Partido dos Trabalhadores condenou as buscas da Polícia Federal realizadas na manhã de hoje (23) na sede nacional do PT em São Paulo, no âmbito da Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato. A operação de busca durou sete horas e, para o partido, foi “desnecessária e midiática”.

“Em meio à sucessão de fatos e denúncias envolvendo políticos e empresários acusados de corrupção, monta-se uma operação diversionista na tentativa renovada de criminalizar o PT”, diz a nota do partido. A nota diz ainda que o PT não tem nada a esconder e “sempre esteve e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos”.

A Operação Custo Brasil foi deflagrada na manhã de hoje pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal. O objetivo é apurar o pagamento de propina, proveniente de contratos de prestação de serviços de informática, no valor de R$ 100 milhões, entre os anos de 2010 e 2015, a pessoas ligadas a funcionários públicos e agentes públicos no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.

Um dos presos na operação foi o ex-ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. A nota do partido também cita acusações a correligionários: “a respeito das acusações assacadas contra filiados do partido, é preciso que lhes sejam assegurados o amplo direito de defesa e o princípio da presunção de inocência”, diz o texto, assinado pela Executiva Nacional do PT.

Advogado do PT

O advogado do PT Luiz José Bueno de Aguiar também se manifestou sobre as buscas na sede do partido. Para ele, não havia necessidade do cumprimento de mandado de busca e apreensão e a ação foi “uma busca para tirar foco de outras coisas”.

Questionado por jornalistas, ao deixar a sede do PT, sobre o que seriam as “outras coisas”, Aguiar explicou: “tirar o foco de investigações óbvias que estão sendo feitas no país inteiro e que não envolvem o Partido dos Trabalhadores. Não há que mencionar nenhuma, mas são todas de conhecimento público”, afirmou.

Segundo o advogado, os policiais recolheram documentos que já estão em órgãos oficiais e recibos que poderiam ser obtidas de outras formas. “São documentos públicos todos eles. Não vejo tanta razão para toda essa mídia, pessoal armado até os dentes. Acho que faz parte do espetáculo midiático”, disse Aguiar. Além de papéis, os policiais levaram, segundo o advogado, quatro computadores que ele não soube dizer a quem pertenciam.

Luiz José Bueno de Aguiar disse também não saber exatamente o que os policiais estavam buscando. “São dois inquéritos policiais: um de 2015 e um processo da 6ª Vara da Justiça Criminal de São Paulo de 2016”, completou. “Já estou providenciando procuração para tentar ter acesso aos autos o mais rápido possível para saber do que se trata”, disse.

De acordo com ele, os policiais não entraram na sala da presidência do PT paulista. “Achei o ato desnecessário, mas não houve violência. Não entraram na sala da presidência. Não houve nada na sala da presidência. [A ação] limitou-se a questões contábeis, o que faz parte do meu espanto, porque documentos contábeis são públicos e não há necessidade de busca e apreensão, bastaria uma simples requisição.”

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, chegou à sede do partido em São Paulo por volta das 13h, sem falar com a imprensa.

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