A ex-senadora Marina Silva acaba de publicar em sua página no Facebook sua análise do pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro na noite desta terça-feira (31) em cadeia nacional de rádio e TV.
Leia na íntegra
“A suposta mudança no tom do pronunciamento do presidente com certeza não foi por convicção, mas por imposição da realidade. A postura do Ministro da Saúde foi fundamental nesse sentido, parafraseando aquele velho ditado: ao não seguir o argumento insano da autoridade, prevaleceu a autoridade do argumento.
Se ontem a tentativa foi mostrar moderação, o prazo expirou em 12 horas. Hoje o presidente retomou sua inaceitável militância de querer convencer as pessoas de que a economia tem quer ser a nossa maior preocupação. Postou logo cedo um vídeo sobre um falso desabastecimento do Ceasa de Belo Horizonte. Até poderia ser uma brincadeira de mau gosto de 1 de abril, mas brincar com algo tão sério, diante do quadro que estamos enfrentando no país, partindo do presidente, é uma atitude irresponsável e inaceitável.
Ontem no seu discurso o presidente recuou na defesa de teses completamente equivocadas que haviam sido proferidas em seu pronunciamento anterior, mas desonestamente distorceu a fala do diretor-geral da OMS, selecionando apenas trechos de sua conveniência.
Não citou uma linha sequer sobre a importância do distanciamento social. Pior: voltou a defender o uso da cloroquina, mesmo que ainda não exista nenhuma comprovação científica sobre a sua eficácia e que seu uso indevido possa ter efeitos colaterais nocivos à saúde das pessoas.
Enfatizou a importância de garantir assistência aos mais pobres, mas não explicou por que até agora não sancionou o projeto aprovado no Congresso por uma Renda Básica emergencial.
Tentou tomar para si o mérito das iniciativas realizadas pelos governadores e pelo Congresso no combate à crise, que preocupados com a preservação da vida e a manutenção dos empregos, implantaram medidas que seguiram as orientações da OMS.
O presidente parece tentar evitar a repetição do seu usual show de horrores, mas fracassa reiteradamente. Tenta parecer o que não é, e só consegue explicitar o que realmente é: inepto e coadjuvante na cadeira da Presidência da República”.
