
Blog do Kennedy
O governo insistirá na ideia de recriar a CPMF, usando o discurso de que outros países resolveram os problemas das contas públicas ao aumentar temporariamente a carga tributária. Exemplos: Reino Unido, Espanha, Portugal e Irlanda.
Apesar do argumento externo, as resistências às medidas anunciadas na segunda-feira continuam significativas no Congresso Nacional.
A presidente Dilma Rousseff foi aconselhada pelo ex-presidente Lula a usar a reforma ministerial para amarrar apoio dos parlamentares ao pacote. Para o petista, Dilma dependerá bastante do PMDB.
A respeito da possibilidade de saída de Aloizio Mercadante da Casa Civil, ministros do PT que se reuniram com o ex-presidente na noite de ontem ficaram com a impressão de que o colega deverá continuar no cargo. Segundo os petistas, Lula teria dado sinais nesse sentido depois de ter se encontrado com Dilma na tarde do mesmo dia. Mercadante poderia ficar na pasta, mas a Casa Civil perderia atribuições políticas e cuidaria só da parte administrativa do governo.
A presidente ainda deverá conversar com o PMDB antes de realizar a reforma ministerial, que deve ser anunciada até quarta-feira da semana que vem.
Dilma precisa conversar com o vice-presidente, Michel Temer, e com os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente. O PMDB tem críticas a Mercadante, que é o ministro mais próximo da petista. Ele tem a confiança dela.
Terminou mal a semana em que o governo anunciou o novo pacote para enfrentar a crise fiscal. Nesta sexta, o dólar disparou, fechando o dia cotado a R$ 3,95. A Bolsa caiu. E a arrecadação de impostos em agosto foi a pior em cinco anos.
