Escola Agrícola de Jundiaí promove ações sociais durante período da pandemia de Covid-19

A pandemia causada pela Covid-19 trouxe dificuldades para diversos setores produtivos da sociedade. Alguns deles, já vivenciavam situações complicadas, antes mesmo da chegada do vírus no país. É o caso de produtores da agricultura familiar de assentamentos na região metropolitana de Natal.

Pensando em melhorar e garantir o escoamento da produção de alimentos desses agricultores, o professor da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ), Tarcísio Gonçalves Júnior, juntamente com Gabriela Sales, líder do movimento Banquetaço, resolveram criar a ação ‘Feira Solidária’. O projeto, que iniciou atendendo inicialmente o assentamento Quilombo dos Palmares, em Macaíba, já conta com a participação de outros três assentamentos: Eldorado dos Carajás, Leonardo Silva e Rosário.

O professor recorda que, antes da situação de saúde pública que o país está vivenciando, a feira acontecia na própria EAJ. Apesar de não estar sendo realizada, ele manteve contato com os pequenos produtores. “Deflagrada a situação de pandemia o contato com os produtores foi mantido, com relatos de muitas dificuldades crescentes para escoar a produção. Foi aí que tive a ideia do projeto”, disse.

A ação consiste na arrecadação de doações, no valor de R$ 20, que são utilizados na compra dos alimentos junto aos produtores dos assentamentos. O destino final desses alimentos são famílias em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Em cada edição são selecionados os assentamentos e também os projetos e comunidades que receberão as doações.

Na primeira edição, 1,5 toneladas de alimentos foram comprados dos produtores e doados no bairro Nossa Senhora da Apresentação, na Zona Norte de Natal. A ação atendeu 180 famílias do bairro. Na segunda edição, o número de alimentos comprados e doados, mais que dobrou. Dessa vez, 3,5 toneladas foram escoadas dos agricultores e 400 cestas de alimentos foram distribuídas nos bairros Pium, em Parnamirim, e Vila de Ponta Negra, em Natal.

No último dia 23 de junho, outras 3,5 toneladas de alimentos foram distribuídas em projetos sociais na Redinha, Felipe Camarão e Cidade da Esperança, atendendo a 400 famílias. Essa terceira edição também destinou 350kg de alimentos a moradores de rua, que antes da pandemia eram atendidos por cozinhas comunitárias em João Pessoa, na Paraíba. Isso aconteceu porque a EAJ-UFRN estabeleceu uma parceria com Departamento de Gastronomia da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), através da professora Ingrid Guerra. A parceria firmada nessa edição possibilitou a entrega de um e-book. O livro virtual intitulado Gastronomia Solidária conta com receitas de chefs do Brasil inteiro e será distribuído entre os doadores da terceira edição da feira.

Depois da realização da primeira edição, o projeto recebeu ainda mais apoio da direção da EAJ. Outro apoio importante foi o do movimento social Banquetaço e da professora Julie Cavignac, do Departamento de Antropologia da UFRN. Também foram firmadas parcerias com Central de Comercialização de Alimentos da Agricultura Familiar (Cecafes) e com a empresa privada Veritas.

A próxima edição da ‘Feira Solidária’ já está sendo preparada e contará com novidades.

Além da Feira Solidária, a EAJ também vem desenvolvendo uma outra ação, que consiste no escoamento dos produtos da própria escola, que são produzidos durante as atividades pedagógicas.

Com as atividades suspensas, esses produtos, que antes iam para o Restaurante Universitário, passaram a ficar excedentes. Daí a necessidade de dar uma destinação.

A produção passou a ser destinada a comunidades em situação de vulnerabilidade social no entorno da Escola. Uma cesta com produtos alimentícios e de higiene vem sendo distribuída às famílias.

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