Por Daniel Menezes/ O potiguar
As eleições municipais de 2016 serão marcadas por um eleito afeito ao discurso antissistema. Em 2012 e 2014, Natal já deu um quarto dos votos válidos para
candidaturas com esse perfil – Fernando Mineiro obteve cerca de 24% no último
pleito municipal e Robério Paulino 23% no estadual na capital.
Uma característica desse eleitor é a de que demora para se posicionar. Mineiro e
Robério só subiram nas últimas semanas de campanha. Estou curioso para saber
como esse eleitor irá se comportar em 2016 em Natal.
Um dado é certo – ele continuará a votar em competidores que estão fora do arco dos
tidos como “tradicionais”. E dada a radicalidade do cenário, não está dado que Mineiro
e Robério serão credores automáticos desse público. Mineiro pela crise que seu
partido vive e Robério pelos sinais trocados que emite – às vezes, fala contra o
capitalismo e em outras direciona sua metralhadora e defende “choque de gestão”,
medida pouco simpática à esquerda.
Ouvi com atenção a entrevista na 94fm do pré-candidato da Rede, Freitas Junior. Achei o coordenador da agremiação no RN
portador de uma língua afiada. Além de tocar em temas sensíveis da cidade, partiu
pra cima de Carlos Eduardo Alves. “Se o eleitor de Natal eleger CEA, estará
entregando a prefeitura para o Eduardo Cunha, Michel Temer e Henrique Alves”,
disse. Ao defender uma nova política, o fez de maneira mais palatável que Robério.
Tenho para mim que o antipemedebismo que viceja no Brasil complicará a vida de
CEA – não teria hípotese sobre a intensidade do dano – que se aliará com o PMDB e
quem capturar para si essa bandeira terá um bom mote.
Apesar do pouco tempo de Tv e Fundo partidário, Freitas terá uma forte cabo eleitoral,
Marina Silva, pode ser a terceira via dos insatisfeitos e surpreender. Não me refiro a
chegar no segundo turno, mas ter uma votação no patamar dos cinco pontos
percentuais (ou até acima disso), o que não é pouca coisa. Vale a pena prestação
atenção nele.

