Aliados acham normal mudança na Justiça; oposicionistas temem intervenção na PF

Luciano Nascimento – Repórter da Agência Brasil

A saída de, José Eduardo Cardozo do Ministério da Justiça para ficar à frente da Advocacia-Geral da União (AGU), no lugar de Luís Inácio Adams, foi um dos assuntos mais comentados nesta segunda-feira (29) entre os líderes partidários na Câmara dos Deputados. Para aliados do governo, a mudança foi “normal”. já os oposicionistas manifestaram temor de algum tipo de interferência no trabalho da Polícia Federal (PF).

Não foi a primeira vez que o ministro da Justiça manifestou intenção de deixar o cargo, alegando “fadiga de material”. Para o líder do PT, Afonso Florence (BA), a atuação de Cardozo foi positiva e ele conduziu a pasta com parcimônia. “Garantiu o primado da lei, o devido processo legal, a autonomia das instituições”, destacou Florence.

Cardozo será substituído pelo ex-procurador-geral da Justiça da Bahia Wellington César Lima e Silva. Florence disse que o indicado para a Justiça já foi testado e aprovado. “Seja do ponto de vista da coordenação de procuradores do estado, seja na representação pública do cargo. É outra tarefa, de natureza distinta, mas, sem dúvida, ele  [Lima e Silva] já demonstrou tanto a excelência técnica quanto a capacidade política que o cargo requer.’

O líder do PT rebateu as críticas da oposição, que atribui a saída de Cardozo a pressões políticas por causa de sua relação com a Polícia Federal, que é subordinada ao Ministério da Justiça. O tema entrou em pauta após as ações deflagradas no âmbito da Operação Lava Jato e que tiveram como um dos investigados o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Florence disse que essa leitura era injustificada e lembrou que, em várias ocasiões, Cardozo argumentou que a corporação sempre teve autonomia para fazer investigações. “Não acho que José Eduardo devia segurar a PF, impedir investigação sobre o PT. Acho que ele agiu na forma da lei. […] Eu não compartilho dessa leitura.”

A oposição, porém, enxerga na mudança de comando na Justiça uma possível ação do governo para interferir na autonomia da PF. Segundo líder do DEM, Pauderney Avelino (AM) a saída de Cardozo se deveu a pressões do governo para que o ministro tivesse mais controle sobre as investigações desencadeadas pela PF. “Estamos vendo que o ministro Cardozo não tinha ingerência sobre a Polícia Federal e está sendo removido pelo fato de a Polícia Federal ser independente e estar agindo”, afirmou.

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