Superlotação faz motorista e passageiros incendiarem ônibus no Paraná

Imagem ilustrativa

Moradores de Campo Magro, na região metropolitana de Curitiba, estão em pé de guerra com o sistema de transporte público. No caso mais extremo, o motorista de uma das linhas colocou fogo no ônibus, com a ajuda de passageiros, e atribui o ataque a criminosos na tentativa de conseguir um veículo novo. O resultado da ação, porém, foi a suspensão da linha composta por um único ônibus.

Os passageiros da comunidade do Cerne, onde ocorreu o ataque, agora precisam usar a linha que serve à comunidade vizinha de Bateias –um micro-ônibus que passou a transportar até 80 passageiros a cada viagem. Agora a população pede a volta da operação na outra linha. Segundo a Comec (Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba), a empresa responsável pelo serviço terá um novo veículo disponível apenas na semana que vem.

A história começou no dia 6 de fevereiro, quando o único ônibus que fazia a linha Curitiba-Cerne foi incendiado. Motorista e passageiros disseram que um homem havia entrado no veículo e ordenado que todos descessem antes de atear o fogo.

                         

“Inicialmente, acreditamos se tratar de uma represália de criminosos, pois um traficante havia morrido poucos dias antes em confronto com a polícia e, no mesmo dia do ônibus, uma agência bancária foi atacada”, disse Hertel Rehbein, delegado da comarca de Almirante Tamandaré, da qual Campo Magro faz parte.

Logo, porém, as testemunhas começaram a se contradizer. A polícia também soube que, antes do incêndio, o motorista deixou de pegar passageiros em diversos pontos. Por fim, descobriu que um grupo de usuários fez uma vaquinha para comprar gasolina e foram os responsáveis pelo incêndio. O motorista e uma mulher foram presos em 25 de fevereiro. Outros participantes ainda estão sendo indiciados. O objetivo era forçar a empresa de transporte a colocar um novo veículo na operação da linha.

Desde então o trajeto está desativado e toda a demanda foi transferida para a linha Curitiba-Bateias, servida de um único micro-ônibus com capacidade para 20 pessoas. Estas duas linhas fazem seis viagens diárias entre Curitiba e Campo Magro, distante 20 km da capital.

“Tá muito cheio. O pessoal passa o dia inteiro trabalhando e depois precisa encarar uma viagem nessas condições”, afirmou o aposentado Jorge Gonçalves, 52 anos.

Ele, assim como outros passageiros, comentam o caso do incêndio com uma mistura de condenação e compreensão. “Não se deve fazer isso. Mas aquele ônibus estava muito velho para enfrentar tanta curva e pirambeira. Poderia ter acontecido um acidente com todos nós dentro”, diz.

O UOL entrou em contato com a empresa que opera as linhas, mas não obteve retorno dos responsáveis.

Administrador