
A entrevista do presidente Michel Temer para a Folha de S.Paulo suscita mais preocupações e questionamentos, e funcionou mais como uma espécie de confirmação das graves denúncias do que um esclarecimento. O presidente afirma que o conjunto de regras que estabeleceu para seus ministros não vale para si próprio. Temer mencionou ser uma bobagem os relatos criminosos do empresário da JBS e por isso não os levou em conta. Segundo o presidente, o fato da conversa não estar registrada oficialmente, como define a lei, não foi uma falha, mas um hábito, o que aumenta as suspeitas sobre a existência de outras conversas dessa natureza. Temer disse que nem sabia que Joesley Batista, chamado por ele de “grande empresário” ou “falastrão”, estava sendo investigado, mas confirma que aceitou a conversa porque talvez “fosse por questão da Carne Fraca”, o que agrava ainda mais a situação, uma vez que a operação só foi deflagrada dez dias depois do encontro dos dois no Palácio do Jaburu. Chega ao absurdo de dizer que as filmagens da mala de dinheiro foi uma armação contra seu assessor de “boa índole, de muito boa índole”. Afinal, qual o referencial de boa índole do presidente? O presidente diz “ótimo, ótimo” quando o empresário estava “contando que estava se livrando das coisas” sem especificar que coisas eram essas. Diante da gravidade, Temer diz que não será contaminado por esses fatos, já que sua culpa foi apenas por ingenuidade. Ao final da entrevista, termina com a lamentável frase sobre a repercussão de seus pronunciamentos de que “enfim, temos presidente”, servindo de confissão de que não tivemos Presidência durante todo o primeiro ano de seu governo. A antecipação do julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE e a aprovação da PEC 227/2016 para convocação de eleições diretas, de autoria do deputado Miro Teixeira (REDE/RJ), conforme a REDE Sustentabilidade e eu temos defendido desde dezembro de 2015, são medidas urgentes para atravessarmos este momento de profunda crise que vive o país.
Marina Silva, porta-voz nacional da REDE
