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| Foto: Sérgio Lima |
O Globo – O Ministério Público Federal (MPF) e o doleiro Alberto Youssef, alvo da Operação “Lava-Jato”, assinaram nesta quinta-feira o acordo de delação premiada, para que ele revele tudo o que sabe sobre a lavagem de dinheiro e corrupção com contratos da Petrobras. O acordo foi confirmado pelo advogado do doleiro, Antonio Figueiredo Basto, para quem, a partir de agora haverá sigilo total envolvendo declarações do seu cliente e também dele próprio.
— Para não prejudicar o meu cliente, e a mim próprio, estamos impedidos, pelo acordo de delação premiada com o MPF de fazer qualquer declaração sobre os termos do acordo fechado hoje (quinta-feira). O acordo prevê sigilo total — disse Basto.
Antes de assinarem o acordo, os advogados de Youssef disseram que caso o doleiro assinasse a delação premiada, seria para o doleiro contar tudo o que sabe sobre a lavagem de R$ 10 bilhões, oriundos dos contratos da quadrilha liderada por ele e por Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras.
— A delação será total — disse o advogado Figueiredo Basto antes da assinatura da deleção premiada.
Pelo acordo, Youssef agora passará a prestar depoimentos ao MPF e à Polícia Federal. O depoimento poderá durar semanas e tem o aval do juiz federal Sérgio Moro, da 12ª Vara Federal Criminal do Paraná, que comanda as investigações sobre a quadrilha que explorava contratos da Petrobras.
Além de Youssef, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras já fez acordo de delação premiada e ficou semanas depondo sobre tudo o que sabia sobre a corrupção na estatal e sobre o envolvimento de políticos no caso, citando três governadores, senadores, um ministro e vários deputados federais. A lista de Youssef promete ser ainda maior, pois era ele que efetivamente fazia a lavagem de dinheiro da quadrilha e fazia os pagamentos.
Depois do acordo firmado com a Justiça, Paulo Roberto Costa foi liberado para cumprir um ano de cadeia em prisão domiciliar em seu apartamento na Barra da Tijuca, no Rio, mediante o uso de tornozeleiras eletrônicas, em razão do que não conseguirá fugir ou se ausentar de casa.
Paralelamente ao acordo de delação premiada de Paulo Roberto Costa, a Justiça vai conseguir reaver pelo menos R$ 70 milhões de dinheiro que o ex-diretor da Petrobras desviou para o exterior. Entre esse dinheiro, está um total de US$ 23 milhões (R$ 57 milhões) que ele tem na Suíça. Seus familiares (a mulher, duas filhas e dois genros) também contarão tudo o que sabem, em delação premiada individual, com o que a Justiça do Paraná conseguirá esmiuçar o maior escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras em toda a sua história.


