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| Foto: Macaíba no Ar |
Diferentemente de outras regiões metropolitanas do nordeste, como a de Recife, Natal sequer iniciou o processo de integração do transporte na RMN. Das dez cidades que compõem a metrópole, quatro (Natal, Macaíba, Parnamirim e São Gonçalo do Amarante) já possuem sistemas tecnológicos de bilhetagem nos coletivos que permitem a unificação. O que falta para que o bilhete único seja, enfim, uma realidade para os dez municípios que integram a Grande Natal?
Para empresários, falta gestão e subsídio dos entes públicos que garantam a unificação da tarifa sem prejuízo econômico. Já os municípios acusam o Estado de se ausentar o debate. Segundo a Constituição Federal de 1988, o gerenciamento das regiões metropolitanas é de responsabilidade dos estados. No RN, o transporte intermunicipal fica a cargo do Departamento de Estradas de Rodagens (DER). A tarifação é dividida em anéis, de acordo com a distância entre Natal e o município de destino. O custo varia de R$ 2,35 para linhas urbanizadas até R$ 5 para as regiões mais distantes. Um reajuste de 9% foi concedido em julho de 2014.
De acordo com a Federação das Empresas de Transporte do Nordeste, sete empresas operam na RMN. No total, são 25 linhas ligando Natal aos municípios. Quatro deles já utilizam um sistema de leitura de cartões que permitiriam a unificação, de acordo com Eudo Laranjeiras, presidente da Fetronor.
Tribuna do Norte
“Empresas que possuem o mesmo sistema de bilhetagem (RNCard) já fazem integração. Hoje, a Campos, Trampolim, assim como alternativos de Macaíba e Parnamirim já podem fazer a conexão. Isso é uma conseqüência natural”, afirma. “O problema da integração é que o desejo do pessoal dessas cidades é que a passagem seja igual a de Natal. Acho justo. Mas como eu vou baixar essa tarifa? Em Natal, aqueles que andam menos subsidiam aqueles que andam mais”, acrescenta. A Fetronor defende que a integração seja subsidiada pelos entes públicos – caso contrário, o custo seria repassado para a tarifa.
Entretanto, os municípios afirmam que não têm condição de arcar com o subsídio. “É uma questão financeira. Não adianta só a prefeitura tentar e os outros (entes) não terem interesse. Dou exemplo do Governo do Estado: tentamos por várias vezes traçar uma política de transportes, mas não fomos respondidos”, afirmou Clodoaldo Cabral, adjunto de transportes da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU). Um conselho metropolitano chegou a ser criado pelas secretarias de transporte de Macaíba, SGA, Extremoz, Natal e Parnamirim, mas sem a integração com o DER as atividades foram suspensas.
Paulo de Castro, titular do Departamento de Transportes de SGA, afirma que a falta de gestão do Estado gera concorrência no sistema de transporte público.
“Hoje o intermunicipal entra praticamente em todos os bairros do município, o que afeta o sistema interno. Isso faz com que a gente tenha um serviço de péssima qualidade”, pondera.

