UFRN vai monitorar pescado em áreas afetadas por óleo

Pescador em dia comum de trabalho na praia de Camurupim – Foto: Cícero Oliveira

A Pró-reitoria de Pesquisa (Propesq) reuniu nesta segunda-feira, 11, todos os pesquisadores envolvidos nas ações relacionadas ao aparecimento de óleo nas praias da costa potiguar. O objetivo do encontro foi a atualização do quadro situacional e do planejamento das próximas etapas do trabalho. Uma das principais será o monitoramento do pescado nas áreas afetadas para saber se houve contaminação e algum perigo para o consumo humano.

Segundo a professora Liana de Figueiredo Mendes, do Departamento de Ecologia, do Centro de Biociências (Decol/CB), a UFRN vai disponibilizar sua estrutura para análise macroscópica do pescado. “A análise macroscópica da presença do óleo nos organismos, ou seja, mariscos, ostras, caranguejos, o pescado que obtivermos, inclusive frescos. Vamos levar para o laboratório, vamos abrir os animais e ver, para constatar a presença, ou não, de óleo no trato digestório, boca, brânquias e tecido e depois esse material orgânico deve ser acondicionado e enviado para laboratórios especializados na detecção de hidrocarbonetos nos tecidos vivos”, explicou.

Todo esse trabalho tem à disposição os laboratórios do Oceano, do Departamento de Ecologia (Decol/CB), de Ecologia Marinha, do Departamento de Oceanografia e Limnologia (DOL/CB), e o de Morfologia (Demor/CB).

O professor Djalma Ribeiro da Silva, do Instituto de Química (IQ), que atua na área ambiental, disse que desde as primeiras aparições de óleo no mar do Estado tem feito analise de hidrocarbonetos em água. “Acertamos com o Idema um diagnóstico nas 17 colunas de pescadores, onde houve aparições de óleo. As 17 colunas representam 29 praias, entre aparecimentos maiores e menores. Foram coletadas amostras de águas, sedimentos após limpeza das praias e analises no primeiro momento e apresentamos os resultados ao Idema”, esclarece.

De acordo com ele, as análises iniciais serviram para mostrar que praticamente não houve solubilidade das amostras de óleo na água do mar, nem nos sedimentos, mas isso não deixa os pesquisadores confortáveis. “Não sabemos se ainda tem resíduos de petróleo há distancias maiores da costa marítima”, reforça.

Preocupado com isso, Djalma Ribeiro informa que foi proposto ao Idema três diagnósticos mensais e dentro dessa proposta um monitoramento pelos próximos três anos. “Teríamos um diagnósticos de 90 dias com três coletas e um monitoramento de mais 36 meses, a cada três meses, de água, sedimentos, crustáceos, principalmente ostras, camarões e oito espécies de pescados a serem definidos”, concluiu o pesquisador.

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