Pesquisa da UFRN é única do Norte e Nordeste selecionada pelo Instituto Serrapilheira

Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande (UFRN) foi selecionada pelo Instituto Serrapilheira para receber bolsa de R$ 1 milhão, cujo valor deve ser utilizado durante três anos do estudo. Concorrendo inicialmente com 2 mil propostas de pesquisadores do Brasil, o professor do Departamento de Oceanografia e Limnologia (DOL-UFRN), Guilherme Ortigara Longo, é o coordenador da única proposta selecionada das regiões Norte e Nordeste do país.

O objetivo da pesquisa científica é avaliar os potenciais impactos globais, especialmente relativos ao aumento da temperatura e à diminuição do pH (escala de acidez) nos oceanos sobre organismos marinho, como os corais, os peixes e as algas. Dessa forma, o intuito é desvendar como os recifes brasileiros vão lidar com as mudanças provocadas pelos mares mais aquecidos e acidificados.

Segundo o professor Guilherme Longo, o estudo possui diferentes frentes de atuação, uma delas é a ecologia histórica com a recuperação do passado dos recifes brasileiros, além da previsão do futuro com modelos matemáticos baseados em dados disponíveis e em simulações no laboratório. Haverá ainda o monitoramento científico dos corais, utilizando modelos 3D e biologia molecular, bem como o acompanhamento cidadão, no qual qualquer pessoa pode participar via redes sociais, compartilhando fotos com a hastag #deolhonoscorais.

O trabalho tem um caráter agregador, visto que reuniu mais de 30 pesquisadores de sete instituições do Brasil, da Espanha e dos Estados Unidos. Para a segunda fase, a meta é fortalecer as atividades da rede, que resultam na formação de recursos humanos nos níveis de graduação, pós-graduação e pós-doutorado, assim como a implementação da estrutura de mesocosmo (manipulação de temperatura e pH, em laboratório e com bastante refinamento). “Pretendemos instalar essa estrutura no Departamento de Oceanografia da UFRN, para que possamos fazer aqui no estado os mesmos experimentos que são feitos nos países líderes em ciência”, planeja o cientista.

Nessa perspectiva, a importância do financiamento está ligada ao desenvolvimento regional, pois, entre os 12 selecionados pelo Serrapilheira, o projeto da UFRN é o único do Norte e Nordeste, o que fortalece a instituição de ensino como referência na área. “A gente fica muito feliz com a seleção, que é um grande mérito científico, mas a conquista vai além porque contribui para que a gente continue fazendo pesquisa de qualidade dentro de uma universidade pública e formando alunos com excelência”, comemora o docente.

Serrapileira – Estímulo à diversidade na ciência

O Instituto Serrapilheira é uma instituição privada sem fins lucrativos, cujo objetivo é financiar pesquisas de excelência com foco na produção de conhecimento e de divulgação científica. Do financiamento de R$ 1 milhão disponibilizado, R$ 700 mil são concedidos de forma incondicional. Os R$ 300 mil restantes estão condicionados à integração e formação de pesquisadores de grupos sub-representados em suas equipes de pesquisa. A adesão a esse mecanismo é voluntária, ou seja, os pesquisadores podem optar por receber ou não o valor destinado às práticas de estímulo à diversidade.

“Reconhecemos que o problema da diversidade e inclusão na ciência é histórico e complexo. Por meio deste pequeno passo, buscamos sensibilizar os grantees a atentar a essa questão, de modo que possam efetivamente contribuir para a construção de uma ciência brasileira mais diversificada”, destaca a diretora de pesquisa científica do Instituto, Cristina Caldas. “Com a entrada de novos perfis nesse campo, pessoas que antes não consideravam a pesquisa como um caminho profissional entenderão que também podem se tornar cientistas.”

Em 2019, o Serrapilheira vai consolidar suas políticas de diversidade, que estão sendo trabalhadas por um comitê estruturado para este fim. Até então, o instituto vinha promovendo ações pontuais: foi concedido, por exemplo, um apoio extra de R$ 10 mil às pesquisadoras que tiveram filhos durante o grant e, nas chamadas públicas, o prazo de conclusão do doutorado foi estendido em até dois anos para as candidatas que são mães. Também foram financiados eventos dedicados à discussão deste tema. “Uma ciência diversificada é uma ciência melhor”, completa Caldas.

 

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