Câmara Municipal de Macaíba outorga título de cidadania para o cientista Miguel Nicolelis

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A Câmara Municipal de Macaíba entregou, nesta sexta-feira, dia 9 de dezembro de 2016, no Centro de Convivência Pax Clube, o Título de Cidadão Macaibense para o médico e cientista Miguel Angelo Laporta Nicolelis, responsável pelo Campo do Cérebro e considerado um dos vinte maiores cientistas do mundo no começo da década passada pela revista “Scientific American”.

A honraria foi entregue pelo ex-vereador Thomás Sena, autor da indicação, no ano de 2007. O título só foi entregue agora devido a agenda do cientista. Na ocasião, Nicolelis lançou o livro “Made in Macaíba”, de sua autoria. Nele, o cientista relata toda a luta que travou para instalar o instituto em Macaíba.

Segundo Miguel Nicolelis, o projeto de transformação social por meio da prática científica, que começou em Macaíba, Região Metropolitana de Natal, se estendeu para a capital potiguar e ultrapassou fronteiras.

Em março de 2003, o estado do Rio Grande do Norte foi surpreendido com a notícia de que cientistas brasileiros, radicados no exterior há vários anos, pretendiam instalar na periferia da capital potiguar um grande instituto internacional de pesquisa, focado no estudo do cérebro e da mente. De repente, e de forma totalmente inusitada, a neurociência entrava na pauta de um dos menores e menos desenvolvidos estados do Brasil; um recanto típico do paradisíaco Nordeste brasileiro do início do século 21, onde a beleza natural sem igual se via sitiada, por todos os lados, por baixos índices de desenvolvimento humano e pelo pior sistema educacional público do País.

Com sua capital, Natal, situada logo abaixo do Equador, e uma costa recheada de praias maravilhosas, camarões e frutas tropicais que atraíam turistas de todo o mundo, ninguém que conhecia de passagem o RN de 2003, nem os seus próprios habitantes, poderia imaginar que o pequeno estado, que se encaixa no mapa nordestino como um tímido elefante com a tromba em direção ao Ceará, pudesse um dia ingressar e, em poucos anos, apresentar com destaque mundial uma agenda científica inovadora para todo o País. Todavia, de repente, lá estava o Rio Grande do Norte, nas manchetes dos jornais do Sul maravilha, entrando no debate sobre como criar uma indústria do conhecimento tupiniquim.

O anúncio público, do que para muitos parecia um mero delírio utópico de algum cientista exilado, se deu durante uma entrevista ao vivo, no pequeno estúdio da TV Universitária, pertencente à UFRN. Levando-se em conta as primeiras perguntas dos ouvintes, o que causou mais espanto foi a revelação do objetivo central da proposta dos “estrangeiros”: usar a ciência de ponta como um agente de transformação social.

Depois daquela noite, pelos próximos anos, o RN se transformaria no primeiro laboratório brasileiro de uma nova forma de fazer ciência: a ciência voltada para o desenvolvimento social e econômico de toda uma comunidade de excluídos que vivia, até então, quase à margem do sistema político-econômico vigente. Para implementar o projeto de transformação social por meio da prática científica, essa utopia nordestina propôs construir um “Campus do Cérebro” na zona rural de Macaíba. Nesse Campus do Cérebro seria implementada a filosofia de usar a neurociência como foco de um programa educacional, começando no pré-natal das mães dos seus futuros alunos e continuando, com uma escola de tempo integral, a seguir seus pupilos, desde o nascimento até o final do ensino médio. Esse programa, hoje conhecido mundialmente, foi batizado com o sugestivo nome de Educação para Toda a Vida.

Nicolelis lidera um grupo de pesquisadores da área de Neurociência na Universidade Duke (EUA), no campo de fisiologia de órgãos e sistemas. Seu objetivo é integrar o cérebro humano com máquinas (neuropróteses ou interfaces cérebro-máquina). Suas pesquisas desenvolvem próteses neurais para a reabilitação de pacientes que sofrem de paralisia corporal. Nicolelis e sua equipe foram responsáveis pela descoberta de um sistema que possibilita a criação de braços robóticos controlados por meio de sinais cerebrais.

Filho da escritora Giselda Laporta Nicolelis, formou-se em Medicina na Universidade de São Paulo (USP). Na mesma instituição cursou o doutorado em Fisiologia Geral, onde sofreu grande influência de César Timo-Iaria. O pós-doutorado cursou no Hospital Universitário Hahnemann (associado ao Drexel University College of Medicine), na Filadélfia, Estados Unidos. É Professor Titular de Neurobiologia e Engenharia Biomédica e co-diretor do Centro de Neuroengenharia da Universidade Duke.

Nicolelis também concebeu e lidera o projeto do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (IINN). Em Natal, uma das linhas de pesquisa de Nicolelis visa caracterizar a transmissão de informações entre dois animais localizados em locais distintos, nas pesquisas que são desenvolvidas nos laboratórios da Universidade Duke.

RÔMULO ESTÂNRLEY

Administrador