Câmara Municipal: a Casa e a Voz do Povo?

Uma oposição fraca já é ruim, imaginem a ausência dela. Em Macaíba o fenômeno tem uma explicação bem clarividente: todo mundo quer ser aliado de um governo que foi eleito com alta popularidade, bem como quer usufruir das benesses do poder. Assim, o papel fiscalizador do vereador é desvirtuado, seja pelo poder político/econômico, seja pela oferta de cargos na Administração.  

Diante desse cenário, o grande problema que se apresenta, além da falta do debate, é a total ausência de fiscalização de um Poder que foi emanado do povo justamente para fazer isso. Principalmente se levarmos em conta que mais de 10 milhões de reais são gastos por mês pelo Executivo macaibense.

Além do mais, uma oposição esvaziada nega às minorias ter direito a voz, o discurso é unificado na ante-sala do plenário e as vozes são suprimidas. Sem lados opostos, o contraditório, norteador da democracia, não é exercido.

Com isso, a Câmara se apresenta como se fosse a extensão do gabinete do Prefeito, com meros balançadores de cabeça – sem querer parafrasear uma vereadora, ora situacionista, que em seu belo discurso de posse batizou esse fenômeno de “vereador lagartixa”.

Contudo, era preciso se entender que a existência de oposição é quase um direito fundamental do povo, pois sem ela não há de se falar em democracia em sua plenitude.  Mas, por outro lado, essa oposição tinha que ser política, e não aquela feita por oportunistas, carreiristas e demagogos. Essa oposição corrupta, à base de extorsão e estelionato, é bem pior do que a ausência dela.

O fato é que cabe ao cidadão procurar se informar sobre os bastidores da política, caso contrário vai entrar governante e sair governante e quem acaba pagando é o povo. No entanto, o que parece na verdade é que a Câmara há muito deixou de ser a Casa do Povo. Sem oposição, deixa de ser também a Voz do Povo.

Por Denilson Gadelha

Administrador