Alunos da EAJ realizam apresentações inspiradas em obras da literatura

Desenvolvida e coordenada desde 2017 por Aldair Rodrigues, Professor de Artes da Escola Agrícola de Jundiaí, a atividade aborda os conteúdos estudados durante o ano e se relaciona com outras disciplinas. Agora em 2019, a atividade pedagógica contou com a disciplina de Língua Portuguesa.

O desenvolvimento da atividade acontece ao longo de todo o ano letivo. No segundo bimestre foram elaborados textos dramáticos tendo como base autores regionais, nacionais e estrangeiros, e cenas com pequenos grupos também foram montadas. No terceiro bimestre foram feita cenas com textos literários e temas relacionados aos respectivos cursos das turmas. Já no quarto bimestre alguns critérios são estabelecidos pelo coordenador e a avaliação consiste em fazer a apresentação teatral utilizando os conhecimentos adquiridos durante o ano, especialmente no que se refere aos elementos da linguagem teatral.

Segundo Aldair Rodrigues, a atividade é importante devido às variadas formas de conhecimento trabalhadas. “Desenvolve, entre outras competências, a socialização, a criatividade, o trabalho em equipe, expressão corporal e vocal, desafiar suas potencialidades e fragilidades, sensibilização do olhar, poder de síntese, estabelecer ideias, criticidade, alteridade, entre outros”, comenta.

A peça conta com um processo de criação onde os alunos fazem um roteiro, elaboram os diálogos e criam os personagens. Isso se dá por meio da escolha e estudo de alguma obra da literatura. A partir disso, os estudantes farão a apresentação, podendo ser uma reinterpretação ou uma adaptação – até mesmo para os dias atuais – e fazer uma interseção com outros autores e outros tempos literários.

O professor de Língua Portuguesa e participante a atividade, Welson Lima, fala sobre a participação dos alunos nas atividades realizadas. “Num trabalho como esse, o professor se afasta um pouco do seu protagonismo e repassa esse protagonismo para os alunos. O aluno passa a ser sujeito. Ele passa a interseccionar os saberes aprendidos em sala de aula com os saberes que ele já domina e ele não só apresenta aquilo que ele aprendeu em sala de aula, mas ele intersecciona com aquilo que ele detém enquanto sujeito. A gente tem alunos que dançam, tocam, cantam e também temos aqueles alunos mais tímidos que vêem o desafio de estar à frente de um trabalho e conseguem superar determinadas limitações a partir do momento em que eles se percebem responsáveis não só como indivíduos, mas responsáveis em relação ao outro”, comenta. “Faz com que o aluno se torne protagonista do seu aprendizado. E você vê a importância do trabalho porque para chegar ao produto final o aluno precisa estudar com mais afinco, precisa fazer estudos interdisciplinares. Ele não decora, ele aprende! Ele domina [o assunto] para chegar ao produto final. Ele tem que se aprofundar nos diversos saberes que estão inter-relacionados”, explica.

As apresentações foram feitas pelos estudantes do Ensino Médio Integrado ao Curso Técnico. Os alunos do 2º ano de Aquicultura desenvolveram a atividade a partir da obra de Aluísio Azevedo, o livro “O cortiço”, onde fizeram uma releitura. Na sinopse elaborada pela turma, “João Romão era apenas um homem que, assim como todos os outros, desejava uma vida boa e cheia de dinheiro. E, para que conseguisse o que queria, resolveu abrir um bar em uma favela abandonada. Com o dinheiro arrecadado, Romão levantou a favela do cortiço e deu abrigo a muitas pessoas, incluindo uma refugiada venezuelana, Bertoleza. No entanto, o rico Miranda está disposto a atrapalhar os planos de João Romão de criar uma grande favela. Intrigas, traições e toda a sujeira da raça humana expressas em uma única obra. ‘O cortiço’ é uma releitura da clássica obra de Aluísio Azevedo”, diz a descrição da peça realizada pelos alunos.

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